Sobre a mesa estão: um papel branco, lápis de cor e grafite, borracha, uma tesoura, cola, alguns pincéis finos e também pedaços de papel de cor.
Começar um desenho é sempre um desafio, um começar de novo; o saber e a destreza anterior não dando a garantia de que este novo desenho agora começado, chegue a bom fim.
Concentro-me, deixo vir a emoção e tento pô-la no papel, tão exacta quanto me é possivel. Emoção profunda que não sei nomear.
E para cada desenho, o mesmo caminho.
Tenho os meus truques – cortando e colando a procura torna-se mais fácil, mais ligeira.
Nenhum engano é definitivo! Tudo se pode refazer! Segurança fictícia em que me apoio para continuar.
A pequena dimensão do papel também ajuda: um desastre pequeno não é um grande desastre.
A figura humana é difícil de agarrar, escapa-me. Tento aproximar-me de perto – uma mistura de coragem, firmeza, ligeireza, fragilidade, cobardia e crueldade. Sempre a figura de uma mulher, o que conheço melhor.
Em cenas de interior.
E assim me confronto com os meus medos, desejos, possibilidades e limites.
Em primeiro lugar, é a mim que quero encontrar, depois (e felizmente que estão lá!) os outros.
2005, revisto em 2008