PRÉMIO INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA NA PRÉ-GRADUAÇÃO

23.43
23.42

Sempre numa atitude empreendedora do desenvolvimento da cultura científica, a Fundação nunca se fechou em si própria, interagindo intensamente com a sociedade civil e aberta a propostas e iniciativas de valia que caíssem no seu âmbito de atuação. Foi assim que respondeu afirmativamente, no início de 2003, a uma proposta da Reitoria da Universidade do Porto para o desenvolvimento de um projeto de iniciação de jovens alunos universitários na investigação.

O propósito foi o de envolver os jovens universitários em atividades de investigação logo nos primeiros anos dos seus estudos superiores, contrariando o status quo em praticamente todas as universidades e centros de investigação, do envolvimento em projetos exclusivamente de alunos de mestrado e doutoramento. A Fundação abraçou com entusiasmo este projeto, que tinha muito em comum com outra sua iniciativa para alunos ainda mais jovens, o Prémio Ciência na Escola, por achar que os alunos iriam beneficiar muito na sua formação pelo facto de entrarem mais cedo na aprendizagem do método científico e do valor que ele encerra: conhecimento, planeamento, sistemática, rigor, análise, validação, ética e discussão entre pares.

Acordados os princípios, foi celebrado um protocolo entre a Fundação Ilídio Pinho e a Universidade do Porto, para o lançamento do Prémio Fundação Ilídio Pinho “Investigação Científica na Pré-Graduação”, ao qual podiam candidatar-se projetos de equipas de alunos de licenciatura orientadas por um professor doutorado, nas áreas das Ciências Exatas e Naturais, Ciências da Saúde e Engenharias. Os projetos a desenvolver selecionados, de entre as candidaturas, com base no seu mérito científico, potencial de inovação, ligação à sociedade e ainda de acordo com critérios que favoreciam a participação dos alunos mais jovens. Aos selecionados foi atribuído um apoio financeiro para cobrir as despesas correntes próprias durante o desenvolvimento ao longo do ano escolar. No final, o Painel de Avaliação, composto por representantes das duas instituições, elegeu o melhor projeto em cada uma das três áreas a concurso, sendo atribuído à equipa científica um prémio para apresentação dos resultados numa reunião científica e/ou para desenvolvimento posterior dos trabalhos de investigação. Logo no seu ano de arranque, o concurso recebeu 176 candidaturas a projetos nas três áreas, envolvendo nove faculdades e diversos institutos de investigação da Universidade do Porto. Destas candidaturas resultaram 35 projetos, cada um dos quais foi apoiado com montantes entre 1.000 e 3.500 Euros para despesas correntes, num montante total superior a 100 mil euros. Os projetos vencedores em cada área receberam um prémio de 12.500 euros, sendo atribuído um prémio de 7.500 Euros para os segundos e de 5.000 Euros para os terceiros lugares. O entusiasmo gerado nos mais de 25.000 alunos e 5.000 professores, à época, da maior universidade do país e o enorme potencial de muitos dos projetos revelou de imediato a extraordinária valia da iniciativa. A título de exemplo, refira-se que um dos projetos vencedores na área de engenharia viria a dar origem ao desenvolvimento de uma tecnologia que esteve, mais tarde, na base do lançamento de uma empresa spin-off da universidade do Porto e de um dos seus institutos, que compete hoje em dia no mercado global.