PROJETO MULTIMÉDIA NO MUSEU

A Fundação Ilídio Pinho assumiu querer contribuir “para que a Ciência e a Tecnologia fossem um instrumento de promoção de cultura”, que entendia como tendo a maior importância para “uma maior solidariedade entre gerações e entre povos”. Assim, foi privilegiada uma abordagem à cultura, mas distinta e claramente complementar da adotada pela maioria das outras instituições. Os principais vetores dessa atuação são a base científica subjacente às tecnologias de informação, comunicação e media digitais e os jovens, como público alvo e como elemento determinante de mudança social e de progresso económico.

É incontroverso que cultura é uma das áreas para a qual as instituições privadas sem fins lucrativos, e muito em particular as Fundações, mais têm contribuído em Portugal. Ao longo de muitas décadas a Fundação Calouste Gulbenkian assumiu o apoio às artes, como se de um autêntico ministério da cultura se tratasse. E saltam à vista outros nomes com obra da maior relevância e impacto, como as Fundações Oriente, Luso-Americana, Serralves e Casa da Música, para referir apenas alguns exemplos. Reconhecendo o valiosíssimo papel destas instituições de primeiro plano no nosso país, quis a Fundação Ilídio Pinho diferenciar a sua atuação fazendo o que ainda estava por fazer.

Numa altura em que as tecnologias de informação, telecomunicações e multimédia estavam a transformar-se em ferramentas essenciais no quotidiano da maioria dos produtores de conteúdos culturais e a revelar-se fundamentais no apoio à organização, arquivo e pesquisa dos acervos culturais, a Fundação acreditou que estas tecnologias, em vertiginoso progresso, poderiam muito bem ser uma ferramenta que, não afrontando, ajudariam a reforçar os valores e o património cultural. E acreditou que, para as gerações jovens que não sabiam já viver sem internet, redes sociais e conteúdos multimédia, o suporte tecnológico seria um fator de motivação determinante no despertar do interesse em qualquer área e a Cultura não seria, de forma alguma, exceção.

Neste quadro de atuação, foi com o maior interesse e abertura que foi acolhida uma proposta de parceria endereçada pela Diretora do Museu Nacional Soares dos Reis, Lúcia Matos, para o desenvolvimento de um Atelier de Criação Multimédia dirigido aos jovens visitantes do museu, projeto que ambicionava preencher um espaço de atuação de indiscutível relevância cultural e social. Nesse Atelier, os jovens visitantes passariam a dispor de ferramentas multimédia avançadas que lhes permitiriam desenvolver atividades criativas utilizando conteúdos digitais, elaborados a partir das coleções do Museu. O projeto de parceria público-privado foi muito bem recebido pelo Ministério da Cultura, através do Instituto Português dos Museus.

O Projeto Multimédia no Museu foi lançado em outubro de 2001 e só no ano de arranque dele beneficiaram cerca de 1.200 jovens visitantes entre os 5 e os 21 anos. A partir das peças individuais, dos artistas e de cada uma das salas e jardim, foi criada uma multiplicidade de materiais pedagógicos – textos de apoio, calendários, roteiros, jogos, puzzles, questionários, etc. – com o objetivo de despertar uma nova e mais fresca maneira de olhar para a coleção do museu. Em simultâneo, e no quadro de programações trimestrais, foram realizados nesse primeiro ano com o apoio dos Serviços Educativos do Museu 14 workshops em diversos temas afins frequentados por 330 jovens.