O PRÉMIO COMO INSTRUMENTO

Foi com o objetivo e a firme determinação em contribuir para que fossem encontradas respostas para muitos desses constrangimentos que a Fundação Ilídio Pinho criou o Prémio “Ciência na Escola”. A iniciativa começou por ser um projeto piloto inovador e completamente alinhado com a missão da Fundação. O propósito era simples: lançar, logo após a abertura do ano escolar, um concurso de ideias para projetos de natureza científico-pedagógica nas áreas das ciências, organizado para escalões etários distintos e não deixando de fora o ensino profissional. Essas ideias seriam apresentadas por equipas de alunos lideradas por professores, sendo selecionadas as melhores para desenvolvimento ao longo do ano letivo, em paralelo com as atividades curriculares. Um pouco antes do término do ano letivo, seriam premiados os melhores projetos e equipas, promovendo assim as diferentes áreas das ciências junto dos alunos e das famílias.

Ciente de que uma tal iniciativa junto das escolas teria de ser sempre levada a cabo com o enquadramento e apoio explícito do Ministério da Educação e das suas Delegações Regionais, a Fundação apresentou a ideia ao então Ministro da Educação, David Justino, que mostrou disponibilidade total para, em genuína parceria, serem criadas as condições para o lançamento do Prémio que considerava inovador e de enorme mérito.

A visão da Fundação para o concurso e para o Prémio foi então plasmada num regulamento acordado com o Ministério da Educação, tendo sido decidido lançar, no ano letivo de 2002/2003, a 1ª edição do Prémio, aberta às escolas do Porto e de Entre-Douro-e-Vouga e para projetos na área da Matemática. Neste primeiro concurso, através do qual se iria fazer “a prova de conceito” da iniciativa, foi possível contar com a participação empenhada da Direção Regional de Educação do Norte (DREN) e da Sociedade Portuguesa de Matemática que, juntamente com a Fundação, fizeram parte do júri.

Numa primeira fase, o júri selecionou 17 das 34 candidaturas apresentadas, com base em critérios de avaliação do mérito das equipas e do valor da ideia, em termos de originalidade, ligação ao tecido social envolvente e utilidade potencial. Cada um dos projetos selecionados recebeu um financiamento, sob a forma de um prémio de participação, destinado a cobrir gastos com a sua execução. Este apoio revelou-se fundamental, dado que as escolas enfrentavam muitas vezes enormes dificuldades em fazer face até a pequenas despesas que não estivessem antecipadamente orçamentadas.

O desenvolvimento dos projetos iniciou-se ainda no 1º período do ano letivo (final de outubro), prolongando-se até meados do 3º período (final de maio). Desde logo se percebeu que o acompanhamento de proximidade das equipas e projetos, por parte dos professores que representavam a DREN no júri de avaliação e seleção, seria um fator determinante na dinâmica e progresso da iniciativa. No início de junho, o júri avaliou os resultados dos projetos desenvolvidos ao longo do ano letivo e escolheu os projetos para atribuição do 1º prémio e menções honrosas. Para além da notoriedade e reconhecimento público, as escolas vencedoras receberam prémios monetários para apoiar as suas atividades no domínio científico a concurso.

Foi talvez modesta a dimensão inicial do Prémio, mas exigiu ainda assim um forte investimento, por ser algo de completamente novo, mesmo desconhecido. Para além disso, introduziu novas práticas e novas atitudes, desconhecidas ou, pelo menos, não interiorizadas em muitas escolas. A primeira edição permitiu confirmar o enorme potencial da iniciativa, excedendo largamente as expectativas mais optimistas em todas as vertentes, para:

  • Desenvolver vocações e orientar os jovens para as ciências, por forma a que mais e melhores estudantes optassem pela formação superior nessas áreas;
  • Motivar os professores, muitos deles com sólidos conhecimentos científicos, para o ensino experimental, proporcionando-lhes meios para projetos de ensino com sentido de utilidade;
  • Alargar o interesse pelas ciências nas comunidades locais, envolvendo nos projetos as famílias e as empresas;
  • Premiar professores, alunos e escolas pelo trabalho de equipa, dando visibilidade e reconhecimento ao mérito e à qualidade dos projetos apresentados a concurso.